Montadoras apostam que reação da indústria automobilística ganhará força em 2018

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São Paulo - Após quatro anos seguidos em baixa, o consumo de veículos no Brasil está crescendo mais de 7% em 2017 e, na avaliação de executivos da indústria automobilística, essa recuperação deve se dar em ritmo ainda mais acelerado em 2018.

Nesta segunda-feira, 9, ao participarem de um congresso na zona sul da capital paulista, dirigentes de montadoras e da Anfavea, a entidade que representa o setor, traçaram cenários de crescimento de dois dígitos tanto das vendas domésticas quanto da produção - esta última também estimulada pelo desempenho recorde das exportações.

O otimismo vem da melhora da confiança dos consumidores e das empresas, que compram veículos comerciais para transporte de mercadorias, da recuperação da atividade econômica e da queda da inflação e dos juros. São fatores que, combinados a uma visão de que a economia se descolou da política - permitindo a perspectiva positiva a despeito das eleições do ano que vem -, ajudam a destravar a renovação de frotas.

Mesmo que não seja suficiente para reverter uma ociosidade nas montadoras que deve encerrar o ano em torno de 45%, a reação dessa indústria, responsável por cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), já leva a MAN a cancelar, conforme confirmado nesta segunda-feira, as férias coletivas de fim de ano em sua fábrica no sul do Rio de Janeiro, assim como encoraja a General Motors (GM) a preparar mais investimentos no Brasil, como antecipou nesta segunda o presidente da montadora no Mercosul, Carlos Zarlenga.

Em sua apresentação no congresso, realizado pela Autodata, Zarlenga - que já havia sido certeiro ao prever, há três anos, a intensidade da crise que atingiu o mercado automotivo - divulgou previsões de crescimento de 7% a 16% nas vendas de veículos novos no Brasil em 2018. Se suas contas estiverem certas, os brasileiros vão comprar entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de veículos em 2018.

Nos anos seguintes, os cálculos da GM indicam que o mercado continuará crescendo a um ritmo anual próximo de 8% até chegar a 3,3 milhões de unidades em 2021, o que é 50% a mais do que o volume previsto para este ano, porém ainda bem abaixo do pré-crise, quando o setor chegou a emplacar quase 3,8 milhões de unidades.

Antes de Zarlenga, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, avaliou no congresso que o pior momento já foi superado, considerou que o País tem potencial de voltar a estar entre os cinco maiores mercados do mundo até meados da próxima década e, incluindo na análise a retomada das exportações, previu que as montadoras devem voltar a montar 3 milhões de veículos em 2018, 11% acima do previsto para este ano.

Na mesma linha, Roberto Cortes, presidente da MAN, que produz os caminhões e ônibus da marca Volkswagen, estimou crescimento de dois dígitos tanto do mercado quanto da produção de veículos comerciais pesados em 2018. "A bolsa cresceu 77% nos últimos seis meses, o risco Brasil caiu, o real está estável e a taxas de juros são a metade do que eram", comentou o dirigente da MAN. "Esperamos crescimento do PIB relativamente alto em 2018", acrescentou.

Vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb disse ser possível um crescimento próximo de 10% no ano que vem, mas, diferentemente de seus pares, mostrou desconfiança em relação à sustentabilidade da retomada do mercado e à manutenção das altas taxas de crescimento. "O motor do crescimento não é igual ao do passado, mas isso não significa que não teremos crescimento", assinalou.

Financiamento ainda caro e alta seletividade bancária nas liberações de crédito, dado o risco de inadimplência elevado, estão entre os fatores que, segundo Golfarb, tiram tração de uma recuperação que, por enquanto, tem se baseado em exportações e vendas a frotas, menos rentáveis do que as fechadas no varejo. "Há, sem dúvida, uma inflexão, mas somos cautelosos sobre uma recuperação mais acentuada", afirmou o executivo da Ford.

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